MAPA ASTRAL

quinta-feira, 3 de junho de 2010

1446 O FUTURO DE UMA ILUSÃO


O Futuro de uma Ilusão
Sigmund Freud
I
Quando já se viveu por muito tempo numa civilização específica e com freqüência se
tentou descobrir quais foram suas origens e ao longo de que caminho ela se
desenvolveu, fica-se às vezes tentado a voltar o olhar para outra direção e indagar
qual o destino que a espera e quais as transformações que está fadada a experimentar.
Logo, porém, se descobre que, desde o início, o valor de uma indagação desse tipo é
diminuído por diversos fatores, sobretudo pelo fato de apenas poucas pessoas
poderem abranger a atividade humana em toda a sua amplitude. A maioria das
pessoas foi obrigada a restringir-se a somente um ou a alguns de seus campos.
Entretanto, quanto menos um homem conhece a respeito do passado e do presente,
mais inseguro terá de mostrar-se seu juízo sobre o futuro. E há ainda uma outra
dificuldade: a de que precisamente num juízo desse tipo as expectativas subjetivas do
indivíduo desempenham um papel difícil de avaliar, mostrando ser dependentes de
fatores puramente pessoais de sua própria experiência, do maior ou menor otimismo
de sua atitude para com a vida, tal como lhe foi ditada por seu temperamento ou por
seu sucesso ou fracasso. Finalmente, faz-se sentir o fato curioso de que, em geral, as
pessoas experimentam seu presente de forma ingênua, por assim dizer, sem serem
capazes de fazer uma estimativa sobre seu conteúdo; têm primeiro de se colocar a
certa distância dele: isto é, o presente tem de se tornar o passado para que possa
produzir pontos de observação a partir dos quais elas julguem o futuro.
Dessa maneira, qualquer pessoa que ceda à tentação de emitir uma opinião sobre o
provável futuro de nossa civilização fará bem em se lembrar das dificuldades que
acabei de assinalar, assim como da incerteza que, de modo bastante geral, se acha
ligada a qualquer profecia. Disso decorre, no que me concerne, que devo efetuar uma
retirada apressada perante tarefa tão grande, e com rapidez buscar a pequena nesga
de território que até o presente tem reivindicado minha atenção, tão logo determinei
sua posição no esquema geral das coisas.

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