MAPA ASTRAL

quinta-feira, 3 de junho de 2010

1412 O FUTURO DE UMA ILUSÃO


Aqui temos dois pontos sobre os quais devo demorar-me um pouco mais. Em primeiro
lugar, a fraqueza de minha posição não acarreta fortalecimento algum da sua. Acho
que você está defendendo uma causa perdida. Podemos insistir, tão freqüentemente
quanto quisermos, em que o intelecto do homem não tem poder, em comparação com
sua vida instintual, e podemos estar certos quanto a isso. Não obstante, há algo de
peculiar nessa fraqueza. A voz do intelecto é suave, mas não descansa enquanto não
consegue uma audiência. Finalmente, após uma incontável sucessão de reveses, obtém
êxito. Esse é um dos poucos pontos sobre o qual se pode ser otimista a respeito do
futuro da humanidade, e, em si mesmo, é de não pequena importância. E dele se
podem derivar outras esperanças ainda. A primazia do intelecto jaz, é verdade, num
futuro infinitamente distante.
Presumivelmente, ela estabelecerá para si os mesmos objetivos que aqueles cuja
realização você espera de seu Deus (naturalmente dentro de limites humanos, na
medida em que a realidade externa, ‘Anagch, permita), a saber, o amor do homem e a
diminuição do sofrimento. Assim sendo, podemos dizer-nos que nosso antagonismo é
apenas temporário e não irreconciliável. Desejamos as mesmas coisas, mas você é mais
impaciente, mais exigente e – por que não dizer? – mais egoísta do que eu e os que se
encontram do meu lado. Você faria o estado de bem-aventurança começar
diretamente após a morte; espera dele o impossível e não desiste das reivindicações do
indivíduo. Nosso Deus, Anagch, atenderá todos esses desejos que a natureza a nós
externa permita, mas fa-lo-á de modo muito gradativo, somente num futuro
imprevisível e para uma nova geração de homens. Não promete compensação para
nós, que sofremos penosamente com a vida. No caminho para esse objetivo distante,
suas doutrinas religiosas terão de ser postas de lado, por mais que as primeiras
tentativas falhem ou os primeiros substitutos se mostrem insustentáveis. Você sabe
por que: a longo prazo, nada pode resistir à razão e à experiência, e a contradição que
a religião oferece a ambas é palpável demais. Mesmo as idéias religiosas purificadas
não podem escapar a esse destino, enquanto tentarem preservar algo da consolação da
religião.

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