MAPA ASTRAL

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

175 FITOTERAPIA

Trabalho desenvolvido pelo Embrapa um exemplo de parceria transdisciplinar
PLANTAS DE NO-DE-CACHORRO NA REGIÃO DA NHECOLÂNDIA, PANTANAL Por: Marçal Henrique Amici Jorge As plantas medicinais são amplamente utilizadas pela população. Entretanto, considerando-se a vasta diversidade vegetal brasileira poucos estudos científicos foram conduzidos. A população indígena também utilizou e ainda utiliza a flora brasileira para a cura de males e em rituais. Porém, tal conhecimento vem sendo perdido ao longo do tempo, por perda de cultura e exploração inadequada de espécies, algumas com processos de extinção adiantados. Várias espécies de plantas brasileiras já possuem uso terapêutico cientificamente comprovado, mas para muitas outras, este potencial ainda precisa ser estudado. No Pantanal, muitas plantas nativas são conhecidas por apresentarem potencial medicinal. Estudos científicos recentes reforçam esta hipótese e atualmente muitas dessas espécies têm sido objeto de estudo para a produção de fitoterápicos através da exploração racional. O Nó-de-cachorro (Heteropterys aphrodisiaca O. Mach.) é uma destas espécies que se destaca pelo efeito estimulante. De acordo com a sabedoria popular local, o consumo é feito na forma de um preparado, chamado: “garrafada de nó-de-cachorro”. Em 2004, a Embrapa Pantanal adotou mais uma linha de pesquisa que visa explorar de forma racional as espécies vegetais regionais, que algumas vezes vêm sendo utilizadas de maneira inadequada. O objetivo é propagar e formar mudas dessas espécies para que venham supriras demandas da população local e no futuro da indústria de fitoterápicos. No caso do Nó-de-cachorro, o projeto já está em andamento. Inicialmente, foram identificadas na região da Nhecolândia sete manchas de ocorrência da planta numa área de mais ou menos 4.000 há, na fazenda da Embrapa Pantanal. Estas manchas foram marcadas e serão acompanhadas com o propósito de fornecer informações importantes sobre o hábito e desenvolvimento da planta em seu ambiente nativo. Em cada mancha identificada e marcada, foram 2 anotados dados fenológicos da planta. Também foi desenvolvida uma planilha de campo detalhada para anotações de dados como, por exemplo: tipo de vegetação, quais espécies vegetais que habitam o mesmo ambiente onde as plantas foram identificadas para que se possa entender suas relações; tipo de solo, para se obter informações importantes sobre características físicas, químicas e microbiológicas, dados necessários para a formação das mudas em casa de vegetação; sinais de depredação e doenças, que serão importantes para se identificar possíveis doenças ou danos provocados por insetos e/ou outros organismos; características da planta, como floração, número de plantas encontradas em cada foco, altura da planta, medidas de área foliar, diâmetro de caule, diâmetro da raiz, número de ramificações em cada planta, número e fase de desenvolvimento de inflorescências e frutos; etc. No caso específico da propagação por sementes, os estudos serão conduzidos com o objetivo de encontrar o melhor substrato e recipiente, que proporcionem germinação e crescimento de mudas mais vigorosas e que permitam o desenvolvimento normal da planta e, mais especificamente, das raízes. Futuramente, estas plantas serão utilizadas como fonte de material para um programa de domesticação, ou seja, adaptá-las ao cultivo agrícola, visando características desejáveis, como por exemplo, arquitetura da planta, tamanho de raízes, etc. Estas plantas serão observadas por um período de 18 meses, para estudar o comportamento da planta nas diferentes épocas do ano e servir de material para experimentações que venham viabilizar uma exploração mais racional da espécie. Em adição, a espécie estaria sendo preservada e a população nativa mantida longe de ameaças, pois a maior preocupação é evitar a extinção, porque muitas dessas espécies sofrem pressão de coleta no campo muito grande em virtude da demanda local. Espera-se com esta linha de pesquisa ampliar o conhecimento técnico-científico da propagação e cultivo da planta Nó-de-cachorro. Estes conhecimentos posteriormente serão estendidos para outras espécies. ________________________________________________ Marçal Henrique Amici Jorge (marcal@cpap.embrapa.br) – é pesquisador da Embrapa Pantanal (www.cpap.embrapa.br), Corumbá-MS, na área de Tecnologia de Sementes e Mudas.ADM – Artigo de Divulgação na Mídia, Embrapa Pantanal, Corumbá-MS, n. 91, p.1-2. Nov. 2005.

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